Autor Henry Van Dyke (1852 – 1933)

Texto adaptado por Bessa de Carvalho para a internet

Imagem gentilmente cedida pela internet


Era uma vez um rei mago que vivia na Pérsia, sob o império Aquemênida. Hoje em seu local está o país conhecido por Irã.

Vivia nestas terras um rei chamado Artaban, vestia belas roupas de seda e de lã típicas da sua época.

Habitava nas montanhas da Pérsia em uma morada cuja natureza tinha sido gentil a ilustrá-la com jardins, árvores frutíferas e flores exóticas.

Certa noite sob o céu enegrecido, porém iluminado de intenso luar, Artaban avista sobre si um enorme rastro de uma estrela cadente. Logo, com o seu conhecimento enriquecido pela sabedoria local, lembra-se da profecia sobre a vinda do Messias, o Rei de Israel. Soube também que Gaspar, Belchior e Baltazar, todos reis amigos seus, estavam a caminho da localidade de Belém. Resolveu então se desfazer dos seus bens e comprar um rubi, uma safira e uma pérola para recepcionar a chegada daquela criança que mudaria o rumo de um povo sofrido.

Convidou vários amigos para ir com ele até este nobre encontro, porém todos se negaram alegando dúvidas no que o rei falava.

Pegou o seu melhor cavalo na madrugada e saiu agilmente ao encontro dos outros três reis magos.

No meio do caminho, se depara com um hebreu quase morto e em dilema temeroso, entre continuar e parar, resolveu dar atendimento àquele que necessitava.

Isso fez com que ele chegasse atrasado ao local onde os três reis estavam e eles já tinham ido embora.

Continuou o seu caminho, mas como tinha deixado provisões para o pobre hebreu atendido, resolveu vender a safira para comprar suprimentos e continuar a sua jornada.

Chegou finalmente à Belém e logo se deparou com mais uma dificuldade. Ouviu o cantar de uma mãe amamentando o seu filho e resolveu entrar em sua casa para perguntá-la sobre os reis magos, a qual prontamente lhe informou. De repente, os soldados de Herodes invadem a cidade para assassinar os primogênitos nascidos naquela mesma noite e a mulher desesperada esconde-se com a criança.

Um soldado invade a casa e encontra visivelmente apenas Artaban. O rei mago oferece ao mesmo, o rubi para o seu silêncio, disse ao soldado que desejava ficar sozinho, assim, salvou a criança e a mãe. Depois continuou a buscar o menino Messias, passando a perguntar por Ele aos miseráveis enfermos nas ruas, prisioneiros em calabouços, escravos nos mercados, famintos e sempre ajudando e gastando o que podia.

Trinta e três anos se passaram e o rei mago envelhece sem encontrar o Messias. Porém, ao ver uma multidão a correr para o monte Gólgota, descobriu que iriam crucificá-lo. Então lembrou que tinha guardado a pérola e resolveu subornar os soldados para o libertarem. No entanto, no caminho, vê uma mulher ensanguentada sendo arrastada também pelos mesmos para venderem-na no mercado.

Ela reconhecendo o rei mago de sua região, pois era filha de um amigo seu, se desvencilha dos soldados e ajoelha-se diante dele pedindo-lhe ajuda.

Atormentado pela dúvida entre salvar Jesus ou a pobre mulher, Artaban resolve oferecer a sua única riqueza para libertá-la. O velho rei mago agora entristecido por nada mais ter a oferecer pela liberdade do Messias, chora.

Jesus então é crucificado. Logo após a sua morte o chão estremece e algumas madeiras caem sob a cabeça de Artaban levando-o a sangrar até enfraquecer. Diante da morte inevitável, o bom Rei guardava a penas o desgosto de não ter conhecido o Messias e nem ter conseguido salvar-lhe.

Próximo a deixar o corpo, Artaban houve uma suave voz a falar-lhe: “Artaban, na tua busca por conhecer-me, sempre quando viste alguém em perigo tu oferecestes ajuda. Em verdade, em verdade vos digo, quando estendestes as mãos ao teu próximo era a mim que estava ajudando.”

Então, Jesus lhe estende as mãos e em poucos segundos o Rei Mago deixa o corpo para trás, conhecendo o Messias que por anos buscou, agora caminhando juntos para a eternidade.

Adaptação para a Internet de Bessa de Carvalho