Era uma vez um menino sabido que morava na área rural, num sítio com matagal, onde grilos o tempo todo conversavam com os mosquitos.

Êta menino matreiro esperto que ele só, de dia enrolava a mãe, dizendo vou estudar, mas dava na corda um nó. Corria feito maluco atrás da sombra do avião, os braços abertos em zig-zag, fingiam pegar com as mãos.

Êta menino matreiro esperto que ele só, pescava os vaga-lumes no pote de mel cipó. No rio com os amiguinhos, nadava que nem um peixe, faltava a aula do professor com seu amigo giló.

Êta menino matreiro esperto que ele só, falava para o seu pai todo mês, que na aula de matemática os números se rebelaram, ali poucos ficaram e com as letras se juntaram fugindo do português.Um dia a mãe descobriu, que aquele menino danado, agora até malcriado mentia que “dava dó”! Nossa foi um “Deus nos acuda”, a mãe que era da roça e não gostava de troça, com a vara de marmelo, tingida de verde e amarelo, cantou em dó menor.

Êta menino matreiro esperto como ele só!

Dedico este pequeno texto à minha querida mãe, que nos idos da minha infância ensinou-me, da sua maneira singela, ser um homem de bem.

Autor Bessa de Carvalho

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  1. Ana Cristina Gomes de Oliveira
    Set 10, 2020

    Como sempre meu amigo, você usa sua sensibilidade para traduzir em belos textos, a poesia que está impregnada na sua alma.
    É muito bom ter plantado em nossos corações a gratidão e o afeto desse ser sublime a quem chamamos de mãe. 🙏🌹❤

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  2. Bessa
    Set 12, 2020

    Obrigado Ana pelo comentário! Na verdade é isso mesmo! Procuro colocar alma nos meus textos!

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