Eu sou a Terra amiga, cheia de esperança e cores.

Gosto dos meus rios que enriquecem os plantios.

Costumo dar legumes e frutas; também flores para inspirar os diversos amores.

Sou a Terra, nos meus campos os girassóis giram, giram, buscando a vida e o sol nem com toda a sua beleza, vive sem a minha natureza.

Amo todas as montanhas que sombreiam os vilarejos.

Amo intensamente os meus segredos cujo tempo os revela.

Sou amante sincera do vento, que me carrega no colo e a todo o momento, me desfaz e descabela.

Sou a Terra dos vulcões que explodem em ira, quando não mais suportam a sina de viverem sem pulmões.

Embelezo os meus traços com as nuvens do céu, sou a Terra onde os lírios distribuem o mel e as abelhas polinizam aos milhões.

Levo aos povos o quente e o frio do pensamento Divino, que permeia a minha existência.

Sou a Terra mãe a aguardar pacientemente o seu retorno para os meus braços.

Vem! Vem cuidar-me, pois sufoco nesse laço de poluição onde a minha garganta queima e nem os fonemas aguentam mais tanta ingratidão.

Vem libertar-me da pobreza, da miséria e da fome, que em muitos lugares dentro de mim, ainda existem.

Porém, vem com ternura, pois somente ela embebece o meu coração e faz-me amar-te cada vez mais, mesmo que odeie e me deixe triste.

Não me abandoe a sucumbir neste mar de solidão.

Vem cultivar enormes campos, distribuir os alimentos aos famintos; vem plantar mais árvores, cuidar dos meus animais e nunca se esqueça de que sempre quero mais do seu amor… do seu amor quero muito mais!

Sou a mãe e do passado espero o seu presente, porque se não cuidar de mim, os nossos filhos não verão o futuro que esperam e o Criador me enterrará no oceano do Universo, lacrimejante e descontente.

Eu sou a Terra…

Autor Bessa de Carvalho

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