Solidão

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O relógio no tic e tac marca as horas,

Vês o tempo passar como as águas mansas de um rio,

A solidão lhe corta o corpo como o ar frio,

Que balança e retira das árvores as amoras.

Passam-se os minutos a adivinhar

Por onde os ponteiros ali passarão,

Eles por fim em uma hora roubarão

O tempo que lhe poderia libertar.

Ó, solidão! Falsa amiga e conselheira,

Gotejando o teu veneno de forma medonha,

Para na queda das almas que abraça,

Num pensamento de agente matreira,

Ver a pobre criatura tristonha,

Cair definhando na própria desgraça.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

Coração

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Ó coração que me enganas nas noites de luar

Dizendo-me que me amas e querendo-me bem

Enganando-me direitinho sussurrando palavras de amor

Mas quando no desejo de ver-me feliz

Não traz-me alívio e sim dor.

Ó coração que sentes na penúria da minha riqueza

A ausência das moedas em meus bolsos

E no grito da minha beleza vês a feiura

Que envolve-me no íntimo ser

Deixas-me em paz neste sofrimento amargo

Tentando conseguir um facho de felicidade

No entanto encontras-me somente

No cubículo de eu alma

Desejoso do puro ensejo do amor

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservado a Bessa de Carvalho

Noite de Natal

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Nas mãos pequenos panos crochetados,

No coração a tristeza suporta,

Doando os paninhos ensacados

Para as mães venderem porta-a-porta.

Não dá esmolas, pois sente que humilha,

Promove à todas desventuradas,

Alimentos coloca nas mesas vazias

Para a noite de Natal enluarada.

É um exemplo vivo para os seus amores

De afeto e amizade solidária,

No seu corpo as roupas multicores,

No pescoço Jesus em sua medalha.

Ensina à filha Esperança a lealdade,

Demonstrando na ação do bem o amor servil,

É a mãe que se chama Caridade,

Nas noites natalinas do Brasil.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

Seja a Diferença

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Quando as emoções estiverem desequilibradas

E não vires mais nenhuma saída para as tuas aflições.

Quando o medo rasgar as portas do teu coração como folhas.

Quando estiver sem defesa diante do inesperado.

Então é hora de buscar dentro de si, aquela fé que se traduz em esperança.

A força que te move para frente é a mesma a fazer de ti uma pessoa melhor, alguém a enxergar os caminhos da vida, mesmo que estes pareçam impossíveis.

Mantenha a tua fé triunfante em Deus e faça a diferença na vida de alguém e na tua própria.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

Poesia Tresloucada

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Sonhei tresloucada poesia.

Estava subindo por uma escada,

Pensei ter ouvido um zumbido,

Que zumbido, que nada!

Era o choro de um mosquito,

Chorava pela ausência da amada,

Tinha um corvo preto no sonho,

Terminando de subir a escada.

Conversei com o coitadinho,

Ele mal conseguia falar,

Queria cantar num sarau

Para a sua amada agradar.

Não sei porque o corvo entrou na história,

Mas logo vi o que queria,

Envolver o pobre mosquito,

Que nem mosca de padaria.

Nossa que poesia bizarra,

Também pudera, um sonho!

Porém, tudo terminou bem,

Com o mosquito risonho!

Mas e o corvo? O que aconteceu?

Terminou noutro sono medonho,

O do senhor Amadeu,

Caçando outro mosquito bisonho!

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

O Olhar para um Espelho

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Diante do espelho que reflete a tua realidade,

Não te assustes ao ver uma face tristonha,

Ou quem sabe um monstro da iniquidade

E tampouco o reflexo de uma entidade bisonha.

Os monstros que muitas vezes tu enxergas,

Nas superfícies facetas de espelhos,

Não são assim tão verdadeiros

Que enrubesçam o rosto em tom de vermelho.

Como o reflexo espelhado no lago,

Turvo pelo balançar das nobres águas,

A beleza surge da superfície do charco

Na serenidade total das tuas mágoas.

Não existe feiura n’alma,

Que se esforça por se modificar,

Até a lagarta que queima e assusta

Em borboleta um dia se transformará.

Então na beleza das asas coloridas,

Olharás uma vez mais para o espelho

E verás o rosto da felicidade

De quem alcançou o amor verdadeiro.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

Poesia de Natal

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Nasce o menino Jesus em Belém,

É deitado numa simples manjedoura,

Lampejos de luzes vêm do mais além

Banham-no com a força Divina Criadora.

Os Reis Magos do lado de fora da estrebaria,

Nas mãos trazem alguns presentes

Aguardando o amamentar de Maria

Para que ela mais tarde O apresente.

Cabras, ovelhas e vacas com sinos

Protegidas são por muitos pastores,

Anunciam a chegada do singelo menino

Acolhido por todos os seus amores.

Na inocência daquela pequenina criança,

Nos braços da sua mãe e sem birra,

Recebe como símbolo de confiança,

Ouro, incenso e folhas de mirra.

José sorrir como um novo pai

E agradece a calorosa recepção,

Deposita em seu filho a fé que vai,

Libertar o seu povo da escravidão.

Não sabia o genitor também simplório,

Que o filho de um humilde carpinteiro,

Aos doze anos pregaria na sinagoga

Ao perder-se dos pais o dia inteiro.

Já maduro sai às ruas a curar doentes

Das mazelas da moral que encharcam o corpo,

Prega o amor e sorri sempre contente,

Ao falar do Pai causa alvoroço.

O inimigo o prende infamemente

E Pilatos lava as mãos de forma vil,

Seus apóstolos o negam veemente,

Ceifa a vida na cruz ao céu anil.

Sobe aos céus após um momento,

Consolando dos discípulos as emoções,

Hoje comemora-se o nascimento

De Jesus que nasceu aos corações.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

Tu me escreves

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Quando escreves em um pedaço de papel,

Rabiscas os sentimentos aqui e ali,

Colocas os teus sonhos bem nas nuvens do céu

E te encantas em escrever o que existe em mim.

Às vezes perdes-te em tuas emoções e se irrita,

Joga fora o escrito descontrolada enfim,

Junto no lixo se vão os sonhos vividos,

Porque és tu mulher deste jeito assim.

Estes vai e vem de afetos

São características do teu íntimo ser,

Oscilam de dentro para fora em modo discreto,

Fazendo o amor, morrer e renascer.

Depois de acalmar os sentimentos no coração,

Pegas um papel e volta logo à escrita,

Separas dentro de ti o amor da paixão,

Retornas a rabiscar os afetos de forma bonita,

Ao tempo onde a beleza de escrever, te dedicas.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

O silêncio

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Dentro de mim existe alguém.

Alguém que chora e extravasa as suas angústias.

Alguém que ri e se desespera muito além.

Existe dentro de mim… alguém.

Reflito sobre a minha existência…

Sou amado? Invejado?

Busco por dentro a paciência

Que não suporta mais eu calado.

As horas passam e o medo vem.

Persegue-me pelas ruas da vida,

Cão ferido e acoado dependente de um bem.

No silencio gradeado o medo desesperado

Busca o amor na acolhida

De uma alma sensível e não dorida,

Porque dentro de mim… existe alguém.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

Natureza e sentimentos, a química do amor

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Respiro, sinto o ar puro em meus pulmões oxigenando eu alma.

Caminho pela relva a refletir o nosso amor.

Deito-me, frente para o sol e as mãos resvalam o relvado a riscar-me as palmas.

Ao cerrar os olhos, o pensamento ocupa a mente e o coração ao pensar em você, sente o pulsar mais intenso.

Medito alguns segundos ao lembrar a maciez do seu corpo exibindo a pele lisa e suave, que me enfeitiça o toque das mãos.

Beijo os lábios e o sangue selvagem corre em minhas veias.

Abro os olhos e vejo novamente o sol a clarear a minha face.

Levanto-me e continuo a caminhar bem mais adiante, sentindo o vento cortar o rosto trazendo o cheiro do mar próximo.

Neste instante, a corrente de ar traz o perfume da sua pele como mensageiro dos sinos e a avisto contemplando o horizonte, unindo o mar ao céu.

Estar também, a observar as ondas marítimas quebrarem nas margens da praia aguardando-me serena.

Aproximo-me e sente a minha presença. Vira-se e os olhos como dois faróis noturnos iluminam-se.

O seu sorriso e o meu revelam a felicidade que nos une.

Ao nos abraçarmos como enamorados, contemplamo-nos intimante um ao outro e a natureza ao nosso redor.

O amor passa a transmitir-se no entrelace dos braços energicamente e esta energia nos aquece enquanto o vento tenta arrefecer a chama dos nossos sentimentos.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho