O ratinho que queria fugir — Fábula

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Era uma vez um ratinho que vivia triste, porque onde andava, todos queriam lhe pisar. As pessoas que o viam pulavam de um lado para o outro numa tremenda algazarra.

Para escapar das pisadas, corria em círculos tentando fugir. De tanta tristeza um dia resolveu se jogar num rio para nunca mais voltar. Desejava acabar com todo aquele sofrimento que sentia.

Então correu, correu e correu para o rio mais próximo e chegando às suas margens, parou e resolveu se atirar em suas águas correntes e velozes.

De repente ouviu uma voz suave a lhe dizer:

— Não faça isso seu rato, você nasceu para a vida!

Imediatamente o ratinho olhou para atrás e vendo um enorme gato se assustou!

O gato, pois, mostrando os seus dentes afiados, lhe disse:

— Você nasceu para a vida, mas para eu comê-lo!

O pobre do ratinho começou a chorar. O gato se espantou com a sua reação, afinal os ratos fugiam dele e aí ele os perseguia para se divertir antes de comê-los. Não compreendendo o porquê da sua atitude, perguntou-lhe:

— Por que você chora, se o certo é fugir?

O pequeno ratinho lhe respondeu:

— Todos querem me pisar ou comer-me e só queria viver em paz!

— fala choroso —

— Por isso ia me atirar nas águas do rio, até você chegar! Agora vou ser comido!

O gato comovido com as suas palavras cheias de sentimentos, esquecendo o seu instinto, desistiu da perseguição e lhe disse:

— Olha seu rato, você não deve fazer isso, no fundo, no fundo, não quer boiar no rio, o que me parece que deseja, é fugir do problema. Então façamos assim: vou protegê-lo e levá-lo até àquela floresta em frente e quando chegarmos lá, você fará a sua toca numa árvore e viverá para sempre em paz e felicidade.

O ratinho sorriu e aceitou o convite do gato, mesmo que meio desconfiado daquela atitude.

Os dois juntos seguiram em frente até a floresta próxima e chegando no destino, ele fez a sua toca debaixo da árvore como o gato havia sugerido. Quando o gato viu o ratinho feliz, deu-lhe as costas sem que percebesse e aos poucos foi se distanciando do local, deixando o seu novo amiguinho viver a sua nova vida.

Quando estava bem distante da floresta, o gato parou e começou a irradiar um intenso brilho que somente se comparava aos raios do sol. Transformou-se em uma linda pomba branca, com asas enormes e alçando voo em direção ao céu azul, desapareceu por entre as nuvens brancas.

Moral da história: mesmo que receba várias pisadas na vida e que tentem comer os seus sonhos, não desista tão fácil dela, afinal todo problema tem uma solução, mesmo que exija sacrifício ou muito trabalho. A esperança é um sentimento que deve-se cultivar constantemente no coração, pois é ela a responsável pelos caminhos que nos levam a soluções para os mais complexos problemas da existência humana.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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Um Conto Perdido

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Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho, conforme Lei Nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.

Era uma vez um conto lindo, cheio de palavras bonitas e escrito com letrinhas de diversas cores. Parecia uma sopa de letras! Todavia, andava muito triste, pois necessitava de um autor. Quem lhe escrevera, partiu um dia para comprar mais papel afim de terminá-lo e desapareceu nas estradas da vida. Pobre conto com a história não encerrada, cabisbaixo, saía todos os dias de cima da mesa a procura de um autor que terminasse a sua história. Andava pelas ruas de Campos do Jordão enfrentando um frio terrível.

Açoitava-lhe o vento e a chuva vinha para piorar deixando todas as páginas molhadas e enrugadas.

Certo dia, em uma dessas saidinhas para encontrar um autor, encara um sol danado e suas páginas ressecam um pouco, ficando as letrinhas esbranquiçadas, vira os olhos em direção às letras e se assusta! Desesperado para não perdê-las totalmente, corre mais do que rápido para a sombra debaixo da marquise de uma loja. Foi um Deus nos acuda! Ele viu um menino passar e chamando-o pediu-lhe:

– Ei! Ei, menino! Por favor, pode me ajudar? Minhas letrinhas estão desbotando… me ajuda!

O menino esguio e com o cabelo embaralhado, depois de jogar bola em campo próximo, surpreso com os olhos esbugalhados, corre para ajudar o conto amigo. Mais do que depressa, leva-o para casa e o coloca em cima da sua mesa de estudo, começando a desenhar novamente as letras com canetinhas de cor. Horas depois, as letrinhas estavam todas coloridas novamente.

Agradecido o conto falou com o menino:
– Obrigado amiguinho! Como se chama?
Prontamente o respondeu:

– Meu nome é Felipe! E o seu?
– Ainda não tenho nome, pois preciso que alguém me termine. — falou tristonho —

Felipe pensativo, com cara de “tive uma ideia!”, resolve ler o texto do conto e pegando um lápis dentro da gaveta da escrivaninha, passa a continuar a escrever a sua história. O conto se ria de felicidade! Os rabiscos do lápis faziam cócegas e deixavam ele cada vez mais encantado! Parecia um pote de arco iris recheado de tanta riqueza!

Não satisfeito com apenas escrever, o menino depressinha buscou uma revista cheia de figurinhas de árvores, plantas, rios e muita, muita natureza. Recortou-as uma por vez e as colou nas páginas do conto terminado. Nossa, quanta felicidade o conto tinha agora em seu coração! Estava sorriso só! Descobriu em poucos segundos que se você está feliz, pode ficar mais feliz ainda! Mas… faltava uma coisa, lembrava o menino. Felipe pega o lápis novamente e começa a desenvolver as letras com o nome do conto.

Então, o conto que se sentia esquecido e perdido na vida, agora radiante de satisfação e alegria, agradece ao menino que sorridente começa a reler a sua história.

Nota do autor:

Apesar da vida nos oferecer algumas vezes amarguras e tristezas, não se pode negar que também nos oferece alegrias. Se conseguirmos canalizar os pensamentos para o otimismo e a sensatez das nossas ações, provavelmente seremos um Felipe a ajustar a vida de alguém que sofre e necessita de solidariedade, não um conto perdido.

 

                                                                   FIM

 

Sonhos de Criança

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Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho, conforme Lei Nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.

À noite ela olhava através da janela os seus sonhos. Imaginava viajar pelas estrelas como fechos de luzes a brilhar. Seu maior desejo era conhecer a lua de perto, conversar com ela e saber de todos os segredos que guardava consigo. Os olhos brilhavam cada vez que pensava em viver este encontro. Era alegria só!

Tinha sempre ao seu lado um ursinho chamado carinhosamente de Pingo, porque ele a lembrava dos pingos de mel que a sua mãe colocava em suas omeletes no café da manhã. A riqueza dos detalhes que a mãezinha preocupadamente tinha com a sua refeição matinal, deixava-a encantada.

Pingo, sempre andava acompanhado da sua plantinha de estimação. Pequenos ramos de brotos de bambu ornamentavam a janela junto com as luzes das estrelas. A natureza se fazia presente também dentro do quarto.
A menina vez por outra conversava com Pingo sobre todos os sentimentos que mexiam com o seu íntimo. Ele era o seu confidente.

Um dia, ela contou a Pingo uma ação matreira que cometera na escola, mas era tão engraçada, que ambos riam-se a valer! O ursinho era realmente um grande amigo da menina.

As noites se passaram como dezenas de vaga-lumes ao luar e tudo se repetia com o imenso prazer de ver as estrelas e a lua.

O tempo voou como pássaros fugindo do inverno. A menina cresceu, as estrelas e o luar continuaram, pingo virou um simples brinquedo a enfeitar a cômoda do quarto, mas os sonhos de criança nunca se foram.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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