Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho, conforme Lei Nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998.

A morte entra calada no quarto e observa serenamente o pobre inquieto no leito. Lê os pensamentos daquele que outrora remava contra a maré no mar bravio para ter um desempenho melhor no lago das disputas.

Atleta, contraiu doença pulmonar grave que o exilou do esporte. Esguio, o corpo reclamava a saúde que lhe faltava, gritando para quem desejasse ouvir: Me ajude!!

Os pensamentos vagavam em busca de uma saída digna. Pensava em terminar a sua vida de alguma maneira, mas lhe faltava coragem para encerrar o sofrimento. Angustia sem fim ao revirar os olhos… ninguém ao seu lado. A única a assisti-lo era a cuidadora contratada pelo irmão que o acolhia em sua casa. Esta, vez por outra, entrava para levar o remédio que aliviava as dores pontiagudas.

A visitante aproxima-se arrastando a foice pelo assoalho avaliando melhor a “vítima”, escolhendo o local exato para o golpe de misericórdia. Não é uma decisão fácil, afinal é necessário um ponto que não lhe cause mais dor. Talvez seja por isso que algumas pessoas dizem que morrer não dói.

O jovem atleta passa em revisão a sua vida. Lembra do dia em que conheceu o amor e o quanto foi feliz no relacionamento. Apesar de meio conturbado foram momentos felizes! – Pensa.

Lembra também o primeiro dia em que ganhou a prova de remo, sendo um dia incrível! Todos o aplaudiam, até a sua amada. Foram muitas medalhas, beijos, farras incríveis, vida.
No entanto, ela sentiu terminar a paixão que nutria pelo atleta. Não era de sua parte amor. Assim foi embora como as nuvens se vão para vir um dia de sol.

A morte aproxima-se ainda mais. Escolheu o melhor local para o golpe. Ergue a lâmina acima e desfere o fatal!

Erra!

Silêncio sombrio.

Os olhos da morte paralisados não conseguiam entender.

Como? – Pensa a morte

Ele não morreu? – Reflete

Ao lado do jovem a ampulheta da vida ainda cheia não esvaziara. Não era chegada a hora e a morte não percebera o equivoco.

Triste, a morte chora…

Não poderia levá-lo ainda.

Às vezes, quando tudo parece perdido, a ampulheta da vida nos diz que não é o fim e nos ensina que resta a esperança.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservado à Bessa de Carvalho

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