O Palhaço Perdido


O palhaço desajeitado sobe ao palco

Do teatro meio ensandecido,

Sob a luz do ambiente escurecido,

Ouve a voz feminina de um contralto.

Suas mãos espalmadas sobre o peito,

Expressam a surpresa do olhar,

De ouvir um pássaro a cantar,

A beleza e a ternura de um jeito:

Doce, sútil e feminina,

Mas com um leve tom mais grave,

A voz da jovem como um alarde,

Anuncia a simplicidade da menina.

Entra a dançarina ao som suave

Da música que liberta os grilhões,

Aplausos agora vem aos milhões,

Rodopia pelo palco ao som do grave.

O palhaço sorrir tímido e assustado,

Vê a bailarina dos seus sonhos,

Mas o sorriso assim meio tristonho,

Foi por não lhe ter cumprimentado.

Segue a programação da peça,

A voz e a bailarina se apresentam,

Mas o palhaço ainda meio desatento

Não entra no contexto desta.

Finalmente chega o fim e a glória,

Sai a bailarina e a contralto,

Senta o palhaço ali no palco

E começa a contar a sua história.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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