Esmeralda


Desce a ladeira da Glória Esmeralda,
Desesperada e maltrapilha,
No seu pescoço guizos e carretilhas
Balançam num enredo desarrumadas.

Pobre criatura nos carnavais, Descalça, pés sujos e roupas rasgadas, Nas ruas cata latinhas amassadas E as vende por alguns míseros reais.

Gasta com fantasias e lantejoulas
Ao imitar formosa e conhecida rainha,
Que na verdade perdeu tudo que tinha
Na pobre ideia do gosto de quero mais.

Nas calçadas quando se vai a ilusão,
Mendiga centavos, escreve a sua história,
Quando muito mal um pão é a sua glória,
Vive escrava da alienação.

Sua mente distorce a realidade,
Vê nos olhos de quem passa a desilusão,
Mal conhece ela a piedade,
Quando alguém lhe estende a mão.

Aí a jovem moça esguia
Conhece nas mãos da solidariedade
Algo mais, uma forte amizade,
Um sentimento de renovação.

Sobe a ladeira da Glória Esmeralda,
Entra em seu casebre de madeira,
Na mesa simplória a fruteira,
Guarda o vazio do seu coração.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados à Bessa de Carvalho

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