Cajueiro Velho


Nos tempos áureos da minha juventude, onde o sol ainda nasce sobre os morros do Cruzeiro, precedida pelo nome de Vila, no subúrbio do município do Rio de Janeiro, em todo o amanhecer avistava o frondoso e imponente cajueiro, bom amigo que um dia vi nascer.

Filho de uma simples semente plantada pelo meu irmão, guardava como gérmen em seu conteúdo, os frutos do caloroso verão.

De inigualável beleza, exalava das suas folhas o perfume do caju e o verde da sua cor inspirava os pintores. Uma pintura digna de Berthe Morisot a discípula impressionista de Camille Corot. Um toque francês, num fruto nordestino, que despertava a curiosidade e os sentimentos de menino.

Vivi nos anos seguintes: primaveras, verões, outonos e invernos e o belo cajueiro sempre alimentava os olhares e sabores. Quantos momentos vivemos juntos! Muitos cajus… muitas sombras… adubos e água a irrigar. Verdadeiro festejo de uma vida que sabemos ser passageira.

Hoje com a experiência nos anos adquirida, somadas a do frutífero amigo e suas primaveras vividas, vejo o distinto companheiro envelhecer no seu calvário; triste é ver o amanhecer nos morros do Cruzeiro e os frutos do frondoso cajueiro, todos eles tão murchinhos e esquálidos.

Até parece que foram colhidos vermelinhos e guardados com jeitinho, para envelhecer no fundo do armário. Ainda me resta a esperança por novos dias, mesmo sob o sol forte e o efeito dos calores, em ver o belo e imponente cajueiro, brotar cajus juntamente com as flores.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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