Raíssa a Enfermeira


Sorve da taça o vinho em amargura

A mulher jovem em sua glória,

A vida se esvai em trama dura

Narrada por este contador de história.

É Raíssa a jovem russa

Após a segunda guerra mundial,

Aliada ao médico de instinto animal

Aos cadáveres judeus se debruça.

Perseguida pelo exército vermelho,

Após a descoberta da enfermeira odiada,

Foge para a Alemanha ora sitiada

Seguindo de um comparsa o conselho.

Sem saída pelo mal que fizera,

Bebe da taça um vinho envenenado,

Cai da janela junto ao telhado

Da igreja anglicana donde viera.

Choram seus pais pela pobre alma

Que triste sina carrega ao túmulo,

Na missa o padre em oração ao mundo

Roga a Deus por Raíssa tão amada.

No outro lado da vida em certo dia,

Onde as almas nunca se calam

E as vozes na sua mente falam,

A própria consciência a obsedia.

São urros de horror e gritos de dor,

Muitos a cobrarem as suas vidas,

Desesperada cai e agredida

Suplica auxílio ao Criador.

É chegado o arrependimento

E ora pela misericórdia do Senhor,

Ouve-se cantos como de anjos em louvor

Para o bom Galileu com sentimento.

Implora o perdão pelos seus crimes,

Quer sair logo da expiação,

O inferno criado angustia-lhe o coração,

Mas O humilde carpinteiro a surpreende.

Envia em seu auxílio um dos seus

A retirar-lhe da situação odiosa,

Mas resta à jovem não venturosa,

A reparação com as leis de Deus.

Determina a Raíssa O bendito,

O retorno à Terra para novas lições

N’um corpo com severas limitações

A sua própria vida oferecer.

O tratar do enfermo que busca

Em sua igreja as chagas curar,

A existência que se enseja

Os crimes hediondos reparar.

Com a prática do bem e do amor,

Raíssa voltará a rever em breve

Aquele que por linhas certas escreve,

O Cristo nosso Senhor.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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