Mumificação Egípcia


Nas noites frias do Egito,

O vento gélido buscava os grãos de areia,

Sobre as pirâmides estes se transportavam em poeira,

A banhar as torres da base ao pico.

O mistério se perpetuava como as noites escuras,

Quando os sacerdotes guiados pela morte,

Carregavam na maca o seu consorte,

Rei que seria embalsamado em ataduras.

Preparavam o seu corpo jazido

Para a entrada triunfal da vida após a morte,

Antes no ritual as orações, um norte,

Para tentar reanimar o corpo morrido.

No preparo os seus órgãos subtraídos,

O coração lá permanecia,

Acreditavam que na outra vida ele animaria,

O perfumado corpo do rei enobrecido.

Os órgãos em natrão envolvidos,

Banhados em sal natural,

O corpo enrolado em linho areal

E colocado em canopos vívidos.

Falcão, babuíno, homem e chacal,

Símbolos unidos para a outra vida,

Levavam o corpo com a mascará reconhecida,

Para reconhecer a alma real.

Na tumba se encerrava o rito,

Junto os pertences do soberano,

Joias, pedras raras, ouro insano,

Eram o tesouro não de um rei, mas de um mito.

Tudo isso para um dia se descobrir,

Que o verdadeiro tesouro que na morte se leva,

É o bem que tanto em juízo se preza,

Ao próximo no ato de um amor desprendido.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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