Lápide


Lápide fria que encobres este corpo adormecido,

Onde os vermes unidos o consomem

No dia e à noite não se intimidam

E no silêncio da morte matam a fome.

Vem ó amiga e falas comigo,

Dize-me no que errei em juventude

Quando somente alegre vivia

E na escuridão dos festejos enrubescido

Pelo vinho azedo me curtia.

Em nenhum momento alertou-me, lápide fria

Nas festas regadas a orgias

Com o título de um nobre enobrecido,

Caiado de branco em túmulo vivo

Vias que a alma minha escarnecia.

Aprisiona-me e deixa-me desesperado

Retirando a serenidade e a consciência a torturar,

Falas com este prisioneiro da agonia

Dize-me onde errei e o que preciso

Para não mais aqui agonizar.

Quando ao entardecer do campo-santo

Não falares mais comigo

Sentindo na carne o teu castigo,

Elevarei o pensamento a Deus para de ti

Lápide fria, me libertar.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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