Libertação


Eis que me escondo por entre as trevas,

Esgotado pelos anos de aflição,

Buscando incansável refrescar em ervas,

As chagas do exposto coração.

Relembro o dia muito triste

Na angustia e profunda solidão,

A arma em um apertar extinguiu-me

A vida através da minha própria mão.

Atravessei a barreira do inferno,

Desesperado carecia encontrar a paz,

Mas onde estava era frio como o inverno,

Tremia até não aguentar mais.

Enlouqueci e pedi ajuda,

Porém o que temia breve aconteceu,

Outros corriam junto a mim era um “deus nos acuda!”,

O meu corpo todo estremeceu.

Palavras de baixo calão pronunciavam

Mulheres e homens ensandecidos,

Ansiosos e derrotados lutavam,

Ofegantes, desesperados e aflitos.

Agachado atrás de fétida pedra

No lodo escorregava as mãos

E gritava:

Senhor, Senhor, retira-me daqui, me leva!

Me arroja aos céus longe desta prisão.

Surgiu bem no alto um anjo

De indumentária lúcida e transparente,

Sua luz ofuscava a todos os videntes

Daquela triste e escura região.

Aproximou-se de mim

O bendito,

Estendeu a destra com um sorriso,

Disse-me: acalma-te meu amigo,

Chegada é a hora da tua redenção.

Envolveu-me em terna paz

Despertando a alma morta,

Alçou voo aos céus o anjo

Que até hoje me conforta. 

Autor Bessa de Caralho 

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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