Carta de Amor

CARTA DE AMOR

“Querida Flor, hoje fazem nove anos que estamos vivendo um romance.

Desde quando a conheci, os dias passam como minutos por

um relógio e sinto o seu perfume percorrer o olfato sensível e

promover uma revolução nos outros sentidos. Quando

estamos juntos os seus carinhos se tornam carícias no corpo,

o sangue circula mais quente e sinto-me um leão na mata selvagem.

Ao vê-la banhar-se nas águas do chuveiro, parece-me a

cachoeira a chamar as pedras para o abraço. Essas boas

lembranças do nosso conviver enriquecem cada vez mais os

anos de convívio. Hoje comemoro mais um ano contigo e o

meu presente ainda é o seu grande amor.”

Ele deposita as flores e a sua carta sobre a lápide da amada.

Os pássaros são as únicas testemunhas daquele encontro.

As lágrimas, como sempre, desenham um pequeno córrego

em seu rosto. Lê os escritos na pedra fria: “Aqui jaz Flor, com

as pétalas de sua alma, as mais rosas que conheci.”

Despede-se esboçando um pequeno sorriso meio sem graça

misturado ao plangor.

Vira-se e caminha a passos lentos como a não compreender

até àquele momento o porquê do acontecido. Os passos se

alargam e o ritmo aumenta um pouco. Agora ele percebe que

o sol está se retirando, ao ver as sombras nas árvores do cemitério.

Parece o seu próprio sepulcro. Foi apenas mais uma visita á

sua amada… apenas uma visita.

Autor Bessa de Carvalho

Direitos autorais reservados a Bessa de Carvalho

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